Não força nem enforca, Glória Perez!
Nunca gostei muito da Glória Perez. Semre achei que as novelas dela deixavam a desejar, pecavam em algum quesito básico e simples que na verdade, nunca soube relatar. Só sei que falta.
Essa novela Caminho das Índias é uma prova absoluta disso. Tem um elenco de primeira, uma trilha sonora bonita, um ritmo interessante. Mas peca em algo. Talvez no exagero das cenas. Ou até na falta dele. Não sei.
Mas falta algo. Falta açucar. Falta mais uma pitada de café. Ainda não está no ponto. Foi assim com O Clone, igualzinho. Na bem da verdade, eu nunca fui muito de novela.
Sou do tipo noveleira de um autor só. Ah, o mestre de todos os tempos: Manoel Carlos. Esse sim consegue temperar o horário nobre com pimenta da Bahia! Forte. Intensa.
Suas novelas são uma reprise de momentos vividos por todos ou quase todos. Não há uma cena em que você não pense: Caramba, eu já vivi isso. Ou mesmo alguma cena em que você consiga se colocar ali. Inteiro.
Eu gosto de novela que fale o "blá-blá-blá" da vida. Aquela coisa de viver mesmo, de sofrer, de chorar, de quebrar o pé em uma partida de futebol entre amigos. Gosto de novela que fale de amor, mas dos possíveis (existe algum impossível?).
Gosto da trama que tem os diálogos simples, que não força sotaques nem enforca nossa tempo. Que nos dimensione para dentro da cena. Que fale olhando nos olhos mas se direcione ao coração.
Gosto das histórias que parecem reais. Que consiga nos tirar as máscaras e refletir, pensar, mudar, opinar. Conhecer as culturas da Índia é muito interessante, mas isso eu vejo em um documentário.
Na novela eu quero romance, casamento, dor de cotovelo, dor de barriga. Quero me ver ali. Brasileira. Humana. Exagerada. Gosto de novela que me arrepie tal como um beijo roubado.


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