Quando eu vi aquela criatura passar, minha primeira impressão foi estranha. Mas estranha mesmo. Algo como: "que pessoa esquisita". Mas ok, deve ter gente por ai que pensa o mesmo de mim em um primeiro momento.
Depois desta primeira impressão, tive a sensação de conhecer de algum lugar. Mas de conhecer mesmo. Algo como: "eu conheço essa criatura de alguma festa da vida". Ok, essas impressões não querem dizer nada, pode ser que se pareça com algum conhecido ou mesmo a mais pura ilusão.
Depois destes dois sentimentos, comecei a achar aquela criatura esquisita um tanto quanto exótica. Não exótica de estranha, não. Exótica de diferente, de interessante. E me veio a vontade de saber mais.
Mas de que forma e para quem perguntar se na realidade não conheço quase ninguém ali? E seria aquele o ambiente ideal para achar alguém interessante? Talvez não, talvez sim. Não sei, só sei que achei.
E depois de tudo isso e mais alguns pensamentos, me veio, então, um sentimento de carinho. Meu Deus! Carinho por alguém que mal sei o nome, que mal sei o que faz, que mal ouvi a voz! Como pode isso? Não sei, só sei que pode.
E agora, José? Como disfarçar tudo isso? Impossível não olhar quando passa, quando entra na sala (nas raras vezes que entra), quando fala (nas raras vezes que fala).
Não faço ideia do que fazer com isso. Aliás, logo eu que tinha jurado dar um tempo. Logo eu que tinha decidido curtir ao máximo... só tenho vontade de estar perto, nem que seja apenas para olhar quando passa, entra ou fala.
Não sei nada sobre essa pessoa. Nada. Não sei se chamo para um café, para um almoço ou se sigo olhando como quem não quer nada ou, como quem quer tudo.
Não sei se ela é casada, solteira, viúva. Se me olha também. Se, sei lá, também me achou esquisita. Não sei! E esse não saber é perturbador.
A única coisa que eu sei é que rolou tudo isso em duas semanas e o carnaval está chegando... e eu não sei como seria ficar 3, 4 dias sem poder vê-la passar, entrar ou falar.
Sou jornalista, sou boa em pesquisa de coisas e pessoas. E tudo que vejo só me faz querer ver mais e mais. Será que paro de procurar? Será que avanço?
E agora, José?