25 de setembro de 2007

A rosa da árvore



Na parada de ônibus.


- Oi?

- Oi.

- Que chuva não é mesmo?

- Pois é.

- Depois a gente se gripa com essas mudanças radicais de temperatura.

- Hum.

- Belo guarda-chuva.

- Obrigada.

- Eu esqueci o meu. Emprestei pro meu irmão e esqueci de pegar.

- Hum.

- Você é sempre quietinha assim?

- Aham.

- Uma moça tão bonita quietinha assim.

- Pra você ver...

- Eu sou bem falante.

- Eu vi.

- Prazer, sou Mário.

- Oi Mário.

(Silêncio)

- Qual seu nome menina?

- Pra quê?

- Ué, pra saber.

- Hum.

- Não vai me dizer seu nome?

- Pra quê?

- Porque estamos conversando. Quero poder te chamar pelo seu nome.

- Eu não estou conversando.

- Você é sempre antipática assim?

- Só quando estranhos falam comigo.

- Mas nao sou estranho. Sou Mário, prazer.

- Você é muito chato.

- Qual seu nome?

- Me chama de árvore.

- Árvore?

- Sim. Não quer me chamar de alguma coisa? Então, pode me chamar de árvore.

- Você é esquisita.

- Obrigada, Mário.

- Que é, tem namorado?

- Aham.

- Ciumento pelo visto.

- Aham.

- Escuta dona árvore, tem telefone?

- Aham.

- Quer me passar?

- Não.

- Adoro mulheres complicadas assim.

- E eu odeio gente que fala com estranhos.

- Ah é? Depois do ódio sempre vem o amor.

- Não. Depois do ódio vem a bofetada.

- Seu namorado é violento?

(Silêncio)

- Dona árvore, namora há quanto tempo?

- Dois anos.

- Bastante tempo, pelo visto gosta bastante.

- Aham.

- Se você chama árvore, ele chama caule?

- Não. Chama Rosa.

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