A rosa da árvore
- Oi?
- Oi.
- Que chuva não é mesmo?
- Pois é.
- Depois a gente se gripa com essas mudanças radicais de temperatura.
- Hum.
- Belo guarda-chuva.
- Obrigada.
- Eu esqueci o meu. Emprestei pro meu irmão e esqueci de pegar.
- Hum.
- Você é sempre quietinha assim?
- Aham.
- Uma moça tão bonita quietinha assim.
- Pra você ver...
- Eu sou bem falante.
- Eu vi.
- Prazer, sou Mário.
- Oi Mário.
(Silêncio)
- Qual seu nome menina?
- Pra quê?
- Ué, pra saber.
- Hum.
- Não vai me dizer seu nome?
- Pra quê?
- Porque estamos conversando. Quero poder te chamar pelo seu nome.
- Eu não estou conversando.
- Você é sempre antipática assim?
- Só quando estranhos falam comigo.
- Mas nao sou estranho. Sou Mário, prazer.
- Você é muito chato.
- Qual seu nome?
- Me chama de árvore.
- Árvore?
- Sim. Não quer me chamar de alguma coisa? Então, pode me chamar de árvore.
- Você é esquisita.
- Obrigada, Mário.
- Que é, tem namorado?
- Aham.
- Ciumento pelo visto.
- Aham.
- Escuta dona árvore, tem telefone?
- Aham.
- Quer me passar?
- Não.
- Adoro mulheres complicadas assim.
- E eu odeio gente que fala com estranhos.
- Ah é? Depois do ódio sempre vem o amor.
- Não. Depois do ódio vem a bofetada.
- Seu namorado é violento?
(Silêncio)
- Dona árvore, namora há quanto tempo?
- Dois anos.
- Bastante tempo, pelo visto gosta bastante.
- Aham.
- Se você chama árvore, ele chama caule?
- Não. Chama Rosa.


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