8 de fevereiro de 2009

Meu bom velhinho

Tem certas pessoas que não morrem. Ficam presentes mesmo quando o corpo dorme para nunca mais acordar. Meu avô é um cara que vive dentro de mim com a intensidade do oxigênio que meu pulmão recebe.

É mais do que admiração. Mais do que um carinho por um homem bacana. O sentimento que tenho por ele é vida.

Tive grandes momentos ao lado dele, inúmeros aprendizados e sensíveis exemplos de integridade. Com ele aprendi que fazer o bem é tão bom quanto recebê-lo. Que não importa quantas pedras existem no caminho meio reto, meio torto que percorremos, o que vale mesmo é a força dos pés para não desistir e a sabedoria para levantar no tropeço e na queda.

Meu avô deixou uma cidade em luto, uma família sem uma das pernas, pessoas viúvas. Meu avô foi embora rodeado de flores, de lágrimas e agradecimentos. Meu avô foi embora com direito à carreata de carros e um caminhão de afeto.

E apesar de ser muito difícil não tê-lo fisicamente por perto, não ouvindo sua voz mansa, nem suas histórias incríveis sobre a vida e sobre o mundo, não vendo mais aquele cabelinho branco e o corpo miúdo, não sentido mais o sabor de estar ao lado dele, mesmo que em silêncio, apesar disso, ele vive forte aqui dentro.

Não vou mentir: penso nele todos os dias. Choro em alguns deles. Sinto uma saudade absurda de abraçar, sentir. Mas ele vive. Ele está aqui presente em cada pensamento. Ele me guia, me ilumina e me faz querer continuar.


Qualquer texto fica pequeno para descrever a figura do meu avô. Qualquer palavra fica solta para tentar explicar o que este homem representa. Meu velhinho, meu bom velhinho me faz, na verdade, uma falta danada. Quase que perturbadora.

Ele foi Papai Noel, coelhinho da páscoa, foi a fé em sua mais singela e pura definição. Ele foi bondade. Foi vitória. Foi político dos que precisavam. Ele foi justo. E será sempre aquele que aparece nas mais honestas lembranças.

Meu avô reuniu todas as qualidades de um homem bom e, dessa mistura toda de boas ações e bons pensamentos resultou amor. Meu avô foi um carnaval, alegre, musical, fantasiado de coração, trabalho e dedicação.

E essa melodia vai ilustrar muitos momentos da minha vida. Tudo o que eu conquistar vai ter um dedo dele. Tudo que eu conseguir de bom enquanto eu estiver viva, vai ser dedicado a ele.

Meu avô não morreu aqui dentro. A dor será eterna como sua lembrança. Mas mesmo assim, algumas vezes não conseguindo segurar a emoção, eu vou continuar batendo na mesma tecla e dizendo em alto e bom tom para que ele escute lá de cima: Muito Obrigada por tudo!

E que você, meu vô querido, esteja lendo seu jornal ao lado dos anjos e contando suas histórias para os que reencontrou aí. Quando for a minha vez eu quero que você esteja na porta, com um sorriso imenso me esperando. E então eu te darei um abraço também imenso, do tamanho do meu amor e da minha saudade.

0 comentários: