Dá pra entender?
E daí se ninguém entende o que eu digo. Que mal há em não ser entendida. Não digo nada para ser entendido. Não quero nada para ser entendido. O que eu entendo você não entende e o que você entende não é o que quero entender. Dá pra entender?
Não. Não dá. Porque mesmo que eu quisesse ser entendida, você seria a última pessoa no mundo a conseguir entender. Você não entende nem o que você acha que entende. Você só entende o que lhe cai bem e o que lhe cai bem eu não entendo.
Tentei entender uma vez. E não gostei do que entendi. Tentei pela segunda vez e não entendi. Mas quem disse que eu quero entender você, sua vida, sua loucura. Nada do que você quer que eu entenda, eu entendo. E isso me basta para decidir não entender mais nada.
Entender, muitas vezes, ultrapassa a barreira do próprio entendimento. E o que eu entendo – quase não entendendo – é que entendo minha vida melhor sem ter que entender a tua falta ou a tua volta ou simplesmente a tua existência.
Te entender não é pra quem quer, é pra quem pode. E quem pode, eu aposto, não quer. Te entender é chato, cansativo, sem graça. Te entender é um programa de índio. Daqueles dos desenhos animados, vestidos de nada e tão cheios de “roupas”.
Nunca quis te entender. Mas eu já tentei te entender. Duas vezes. E no momento eu só quero continuar sem entender. E quero continuar sem ser entendida. Está dando bem menos trabalho que esperar você chegar as cinco da manhã, com ar de “perdi a hora” e ir dormir entendendo que de você, eu nunca entendi nada.


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