22 de fevereiro de 2008

O sim em silêncio

Eu tomei um banho demorado com sabonete de maracujá, coloquei um vestidinho preto básico, mas um dos únicos em que me sinto sexy e peguei o elevador com um cd do Roberto Carlos nas mãos. No carro, ao som de Além do Horizonte, pensei e repensei se deveria aparecer.


Não foi um convite de fato. Foi uma espécie de aviso. “Apareça, se não estiver muito ocupada”. E pela primeira vez, depois de alguns anos, decidi arriscar. Pelas ruas um silêncio específico de cidade vazia em período de carnaval. Mas no carro o som de Roberto fazia muito barulho.

Cheguei, sentei na primeira fila e fiquei quieta até o fim do espetáculo. Na saída, o telefone tocou e a voz macia disse para aguardar em frente ao teatro. Minutos depois, com uma leve chuva caindo, o Corsa vermelho com adesivo do Grêmio estaciona e a delicadeza de alguém especialmente preocupada vem acompanhada de um guarda-chuva ao meu encontro, pelo simples fato de não deixar os poucos pingos estragarem meu rímel preto.

- Onde está teu carro?

- Aquele pretinho ali, ao lado do branco.

- Deixa ele aí e vamos com o meu, amanhã te trago aqui e você pega o teu.

- Prefiro não. Estou aqui apenas pra te ver, preciso voltar pra casa.

Após estacionar o corsa vermelho, desce e abre minha porta.

- Vamos?

- Mas...

- Vou no teu carro e vou pra tua casa. Amanhã tu me deixas aqui e eu pego o meu.

- Mas...

Um beijo silenciou o momento.

0 comentários: